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RESENHA 4 CUMES DO ITATIAIA

 POR: Antônio Falcão

RESENHA 4 CUMES DO ITATIAIA

 O Parque Nacional do Itatiaia, situa se na Serra da Mantiqueira, entre os municípios de Itatiaia e Resende (RJ)  e Bocaina de Minas e Itamonte (MG)  Possui um relevo composto de várias montanhas rochosas com altitude variando de 600 a 2.791 m, cota altimétrica do famoso Pico Agulhas Negras.

Após avaliar inúmeras opções de roteiros, escolhemos o PNI para fazer nosso tradicional  trekking de quatro dias aproveitando a semana “meio morta” do feriado de Corpus Christi. Nosso roteiro incluiu a subida em quatro pontos : Agulhas Negras, Prateleiras, Pedra Selada e Morro do Couto , aliando desafio de resistência física a contemplação das belas paisagens.

Quatorze  andarilhos aceitaram  o desafio proposto e durante seis meses  participaram  de um planejamento rigoroso,  a começar pela reserva de  voos combinados com os horários dos trechos terrestres. O estudo dos trajetos e seleção dos equipamentos para a jornada completaram o ritual.

Sendo assim partimos no dia 25 de maio de Vitória em voo direto para o Rio, porém a companhia aérea antecipou o horário, nos deixando a tarde praticamente livre. Aproveitamos este tempo para um tour na Lapa onde também almoçamos. Foram momentos agradáveis, e uma ótima oportunidade para integrar melhor o grupo, apesar de serem velhos conhecidos das caminhadas.

Devido ao trânsito intenso da véspera de feriado, chegamos bem mais tarde que  o previsto, mas não impediu que nossos guias da Grade 6 fizessem um  rápido briefing sobre as nossas atividades nestes 4 dias.

PRIMEIRO DIA : Agulhas Negras

Acordamos muito cedo para sair do hotel as 5 :40 hs e  percorrer os 48 Km que separavam nosso hotel da entrada do parque, Viagem demorada com cerca de uma hora e meia a bordo dos valentes Land Rovers de nosso guia Eduardo Cotrim. Num belo dia de sol, a uma temperatura de 9 graus, cumprimos os rituais burocráticos para acesso ao PNI, e embarcamos novamente nos veículos para mais um trecho de 3 Km até o Abrigo Rebouças, nosso ponto de partida. No Rebouças, o “Trio Parada Dura” da Grade 6 Eduardo Sartor, Eduardo Cotrim e Lucas Sato, conduziu o briefing e distribuiu os equipamentos de segurança. Após a rápida seção de fotos, o grupo partiu para a tão sonhada subida ao ponto culminante do parque e sexto mais alto do Brasil.

O trecho inicial é de uma trilha com cerca de 1,8 km até a base, de rara beleza, com um céu bem azul e as inúmeras montanhas ao redor, com destaque para as Prateleiras. A poucos metros da base, uma placa com a advertência explícita para que não se passe deste ponto sem algum conhecimento de escalada em rocha e sobre o porte de equipamentos de segurança. Na base, a beira de um riacho a turma parou para um rápido lanche antes de começar um verdadeiro malabarismo entre as pedras, até chegar num paredão que para ser transposto exigiu a utilização de cordas para ser transposto. E o que vem a seguir não muda: rochas íngrenes, fendas, escorregões, e momentos de indecisões na hora de escolher o próximo passo. Todo esforço é compensado por um visual cada vez mais belo, quando se contempla as montanhas numa posição acima das nuvens. E já próximo ao topo, mais um trecho que foi percorrido com auxílio de cordas. Um pouco mais de esforço e equilíbrio e chegamos a cota de 2 791 metros. Num feriado e com clima propício era natural que o cume estivesse lotado, mas com paciência, conseguimos fazer a nossa tradicional foto ostentando as bandeiras do ES, do Grupo Andarilhos,org e também da Grade 6. Momentos breves mas intensos, antes de fazer o lento caminho  agora em descida, que ocorreu sem problemas até a base. A chegada a base, nos premiou  com uma bela vista do Agulhas iluminado pelo sol para encerrar uma aventura nota dez.

SEGUNDO DIA : Prateleiras

O dia 27 de maio começou como o dia anterior, pois acordamos bem cedo, e pontualmente as 5 40 hs partimos em direção ao parque. Entramos e fomos direto ao Abrigo Rebouças para percorrer a trilha de 3,5 Km até a base desta bela formação rochosa. No início é uma trilha bem aberta e fácil de ser percorrida até a base, mas depois da placa de advertência sobre uso de equipamentos de segurança a coisa fica bem mais complexa. É uma sequência de obstáculos, com passagens em fendas estreitas e com necessidade de se arrastar  sem a mochila, em típicos túneis de pedra, O prateleiras é bem mais exposto, o que aumenta a sensação de estarmos mais altos. Nestes trechos, todos os objetos foram guardados no interior das mochilas, inclusive celulares e câmeras, o que nos impediu de documentar melhor nossa passagem. E ao abandonarmos este trecho, a única visão é  das rochas, do céu e do vazio até a base, visão assustadora para aqueles que temem altura. Mas tubo bem compensado pelo uso dos equipamentos de segurança e das cordas. E mais um trecho de pedra bem inclinado seguido de outro com auxílio de cordas e lá estávamos nós no alto dos 2 540 metros do Prateleiras local de visão espetacular em 360 graus. No cume antes das fotos oficiais, todos assinaram o livro de visitas, que fica abrigado das intempéries no interior de uma caixa metálica. Feito isso, fizemos o caminho inverso com paciência e segurança até chegar ao parque num dia que foi marcado pela surpresa, a beleza, seletividade da trilha e pela desenvoltura do grupo.

 

TERCEIRO DIA : Pedra Selada

O terceiro dia começou com temperatura mais elevada e bem nublado, porém, não tivemos que acordar tão cedo como nos dias anteriores. Sendo assim, após um ótimo café da manhã no hotel, partimos as 7 hs em direção a Visconde de Mauá para se chegar a Pedra Selada. O nome desta montanha é em função de seu formato, que se assemelha a uma sela. A montanha se situa no Parque Estadual da Pedra Selada, criado a pouco tempo.

Em nosso deslocamento até o parque, fizemos uma parada rápida em Visconde de Mauá para um cafezinho e contemplar a curva do Rio Preto que corta a cidade.

Na base, após a foto oficial, partimos para uma subida de 3 km bem forte que  começa numa fazenda, com visual típico de pastagens, mas que muda radicalmente numa matinha onde se ouve o som mágico de uma cachoeira. A subida continua e a única coisa que se vê são as árvores, coisa de trilha mesmo. Porém, já perto do cume com seus 1755 metros temos uma visão espetacular em 360 graus com destaque para o Agulhas Negras, região de Visconde de Mauá e Vale do Paraíba

O cume estava simplesmente lotado, mas com paciência aguardamos a descida de outros grupos para ocuparmos o lugar, contemplar o horizonte e fazer nossas fotos numa intensa algazarra. Na Pedra Selada também existe a caixa metálica que abriga o Livro de Visitas, assinado por todos do grupo.

Nada mais a fazer, descemos com bastante cuidado até a base sem nenhum problema e encerramos o trekking numa venda, onde tivemos oportunidade de torcar experiências com pessoas, que  como nós, amam as montanhas. Nessas conversas sempre aparecem sugestões de novos roteiros e também novos amigos.

De volta ao hotel, tomamos um bom banho, e como turistas fomos curtir um pouco da noite em Penedo, degustando uma deliciosa truta num dos inúmeros restaurantes da cidade.

 

QUARTO DIA : Morro do Couto

Este trekking é o de menor duração dos quatro visitados. Situa-se no PNI mas não saímos cedo e sim as 7 horas. O Couto é o segundo ponto mais alto de Itatiaia e nono ponto mais alto do Brasil.

Para acesso ao Couto não passamos pelo Abrigo Rebouças como Agulhas e Prateleiras, pois a trilha começa ao lado da portaria, passando por uma Estação  Metereológica.

Numa subida de pouco mais de 1 Km, chega-se ao acesso a trilha propriamente dita, sendo este o local das fotos que sempre marcam nossas caminhadas, Trilha bem fácil de ser percorrida com visão da maravilhosa e desafiadora Serra Fina, nosso desafio de julho.

A trilha termina na base do Couto,  onde existe uma antena de telecomunicações, que apesar de necessária, estraga o visual da imponente formação rochosa. O acesso ao cume é bem difícil e com alto grau de inclinação, sendo um trepa pedras de primeira e bem divertido para subir até a chegada ao cume. Mais uma visão de tirar o fôlego, com vistas para o Prateleiras, Agulhas e a Serra Fina num dia de sol perfeito para encerrar um trekking de primeira grandeza.

Descida rápida, embarque nos Jeepsm com  uma parada estratégica para lanche antes de chegar no hotel para preparar o retorno a Vitória.

A longa viagem de volta

Em função dos horários de voos cada vez mais restritos, não tivemos  opção de retorno por via aérea. A saída foi por ônibus, cujo horário não dava quase nenhuma margem a atrasos por parte do coletivo que nos conduziu ao Rio. Foi uma apreensão geral, pois com o retorno de um feriado prolongado o transito é bem mais carregado e  o intervalo entre a chagada prevista ao Rio e a partida do ônibus para Vitória era de escassos 20 minutos.

E numa adrenalina total, chegamos a Rodoviária exatamente no instante em que o ônibus estava saindo. O motorista de nosso coletivo parou o veículo fora da baia de desembarque e um de nós correu até o outro para segurar a partida. Posso afirmar que a tensão foi bem maior que nos paredões do Itatiaia, mas chegamos bem, coroando um trekking de primeira  grandeza

As Lições do Itatiaia

Passar quatro dias fora de casa num grupo de pessoas diferentes, dividindo o tempo e os espaços,  trouxe  lições que extrapolam o caminho em si.

Mesmo diferentes, todos tem em comum o apreço pelas caminhadas, o que facilitou bastante a convivência e nos tornou uma família, onde cada um de nós aceitou as limitações dos companheiros bem como suas virtudes.

 Este sentimento é  o que fica e serve de lição para que levemos para nosso dia a dia no trabalho, na família e na comunidade. Agradeço a Deus pela nossa saúde, pelo sucesso do trekking e pela amável companhia de pessoas com as quais aprendi muito.

 

 

 

 

 
 
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