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Resenha de SERRA FINA 2016

 POR : ANTÔNIO FALCÃO

RELATO TRAVESSIA SERRA FINA:

PRÓLOGO

A travessia de Serra Fina é um grande desafio, mesmo realizada em quatro dias de caminhada como nos propusemos.É considerado o trekking mais difícil do Brasil, pois nestes dias temos todos os tipos de obstáculos, tais como escalaminnadas em costados rochosos, vegetação densa, frio intenso,um fortíssimo desnível topográfico (2000 metros), capim alto, trilhas escorrregadias, além do peso da mochila.A Serra Fina faz parte da Serra da Mantiqueira, cadeia de montanhas de 500 Km que se extende marcando as divisas dos estados de SP, RJ e MG.Caminha-se  quase sempre em cima das cristas da Serra, numa adreanlina constante incrementada pela emoção de ver paisagens lindíssimas do emaranhado de montanhas e vales que parecem não ter fim.

Nosso grupo foi composto por três amigos de Vitória compelmentado por oito de são Paulo e um do Rio de Janeiro, que mesmo sendo de diversas profissões e ocupações tinha em comum o gostopelo esporte .o vigor físico e o compaheirismo tão necessário numa aventura destas, sem o qual a expedição não teria êxito.

Partimos de Vitória na tarde do dia 20 de julho e a noite nos encontramos com o restante do grupo para uma longa viagem até a cidade mineira de Itanhandu. O trânsito pead de São Paulo na hora do rush atrasou um pouco a nossa viagem e chegamos nos primeiros minutos da madrugada do dia 21. Tiramos um cochilo na aconchegante Pousada Refúgio Rosetal, pois as 5 :00 h já estavmos a mesa para um farto café da manhã.

CAPÍTULO I

DIA: 21/07/2016 (Aproximadamente 8 Km)

Subida acumulada – 1000m

O dia amanhaceu frio, com cerca de 13 graus e pós o café na pousada, o grupo juntamente com os guias embarcou em três Kombis com destino a Toca do Lobo, ponto inicial da travessia. Desembarcamos a cerca de 1,7 Km deste ponto, trajeto  que serviu para acomodar melhor as pesadas cargueiras nas costa e fazer um aquecimento.

A Toca do Lobo é uma pequena gruta as margens de um riacho cujas águas frias e limpidas foram usadas para abastecimento de nossos cantis.

O início da jornada se dá com a travessia deste córrego seguida de forte subida em trilhas sob mata fechada e escalaminada com apoio em rochas, troncos e raízes. Serra Fina apresente seu Cartão de Vistas.O prêmio por este esforço inicial não tarda a aparecer, pois logo estamos nas cristas da Serra e mesmo num dia nublado, mas com nuvens bem altas, a visão das montanhas era incrível.

Com uma parada para lanche numa clareira abrigada do vento e outra para almoço, tomamos a direção do Alto Capim Amarelo. Chegar ao cume é tarefa das mais difícieis, pois é feito trechos de subidas muito fortes, onde num dospontos mais ingrenes, temos o auxílio de uma providencial corda, posicionanda estrategicamente num trecho de rocha e terra úmida. Existem também alguns pontos de descida sob um capim alto e amarelado que de tão denso impede que se vejao chão, gerando uma certa insegurança. Estes obstáculos foram vencidos com traquilidade e disposição por todos até o topo a 2.570m de altitude. No local existe uma caixa metálica que abriga o Livrode Visitas,orgulhosamente assinado por todos. A estadia alí foi breve, pois ainda estávamos um pouco distante de nosso primeiro acampamento, conhecido como Maracanã. Olocal bem espaçoso para os padrões de cristas de montanha, foi suficiente para acomodar nosso grupo e por coincidência um trio de amigos que conhecemos fazendo os 4 cumes do Itatiaia há pouco menos de dois meses.

O local é uma grande clareira em meio ao tão propalado capim, mas com grande desnivel, o que trouxe certo desconforto para o tão necessário sono. Mas como ninguém faz esta travessia pensnado em conforto, após o precário banho de gato nas barracas,o grupo se reuniu para uma animada roda de conversa sob um frio congelante e ceu estrelado, conversa esta  regada  “a um bom vinho”.Nesta vida tudo é relativo. Nas condições precárias de um acampamento na montanha um simples vinho comercial, consumido em canecas de alumínio tem um saborde um Alma Viva degustado em finas taças de cristal da Bohemia. E quando foi servido o jantar a coisa melhorou de vez, pois comemos uma deliciosa pizza, assada no pequeno espaço de uma barraca pelos nossos valoros guias. Ponto para a turma. Depois deste inesperado jantar, todos se recolheram para repor as energias e encarar mais um desafio na montanha.

CAPÍTULO II

22/07/2016 (Aproximadamente 8 Km)

Subida acumulada  – 900m

Descida acumulada – 700m

O dia 22 amanheceu muito frio, mas o semblante de cada um que saía de sua toca era o melhor possível.Isso demonstrainvejável disposição para vencer o desafio de atingir o topo da Pedra da Mina. Esta montanha possui 2.798 metrosde altura, sendo  ponto culminante da Mantiquera. Após a visita compulsória a nossa compostagem, tomamos um café reforçado enquanto a equipe de apoio desmontavaas barracas com precisão e agilidade. Neste meio tempo eis que surge o nosso querido sol que aqueceu e animou mais ainda a turma.

Sob o sol nascente, colocamos as cargueiras nas costas e partimos para mais uma sequência de escalaminhadas e o sobe desce frenético da Serra Fina, com visão maravilhosa da interminável cadeia de montanhas. 

O almoço de trilha do dia foi no local conhecido como Cachoeira do Rio Vermelho, que apesar do nome é somente um fino curso dágua onde pudemos abastecer nossos cantis. O caminho a seguir é marcado por muitas subidas e descidas e o capim amarelo volta a marcar presença, altenandocom muita rocha exposta a ventos congelantes. A porção final até a Pedra da Mina é um zigue e zague na rocha até o cume.

A chegada ao cume para mim, foi um momento aguardado e de muita emoção. Em2014, Josi e outros amigos de Vitória e os guias Rafael e Rodolfo  me prestaram uma singela homenagem em função de um incidente na montanha que me impediu de estar lá naquela ocasição.Exibiram uma faixa com os dizeres: ANTÔNIO SERRA FINA TE ESPERA, E NÓS TAMBEM”.  Com a colaboração do grupo retribui a homenagem com outra faixa assim esrita : SERRA FINA ME ESPEROU, AQUI ESTOU. Como faço em todo ponto culminante do Brasil que alcanço, hasteei com orgulho o pavilhão do Espírto Santo ao vento gelado, seguido da foto de todos com a bandeira de nosso grupo Andarilhos.org.

De forma silenciosa agredeci a Deus por ter me recuperado e permitir que estivesse ali em pelna forma dois anos depois. Após o registro de presença no livro ao lado da marcação do IBGE e muitas fotos, partimos para o Vale do Ruah nosso acampamento do dia.

O acesso ao Ruah e bem difícil já que é uma descida abrupta com vários pontos extremamente escorregadios e ja na parte baixa o capim fechado não nos permite ver o chão e nos obriga a uma atenção extra, isso no final de uma jornada extremamente cansativa.

O local é uma pequena clareira em meio ao capim, sendo bastante úmido e frio, e para que tenham uma idéia, as 17 horas a temperatura era de 3,5 graus. Após o “banho” a rodinha de conversa regada a vinho, foi com todos de pé, já que não havia espaço sequer para sentarmos. Foram dissertações ricas sobre constelações,astrologia,  política, ética e caminhos sob um céu estrelado de rara beleza. O nascer da Lua, por volta das 21 horas clareou o ceu e elevou nsso astral. Astros naturais a parte, oponto alto da noite foi nosso jantar, com strogonoff e arroz integral, mais uma surpresa da equipe de apoio.

Sob um frio congelante, logo após o jantar todos se recolheram as suas barracas iluminadas pela Lua que reinava absoluta no céu. Para mim foidifícil ver as horas passarem até o raiar do dia para encarar mais uma desafio de gigante.

 

 

 CAPÍTULO III

23/07/2016 (Aproximadamente 6Km)

Subida acumulada – 500m

Descida acumulada – 700m

Ao sairmos das barracas, vimos um ceu extremamente azul, porém a luz direta do sol ainda não nos alcançava. Enquanto nossos guias preparavam mais um café da manhã a turma se eforçava para alcancar os primeiros raios de sol e se aquecer naquele ambiente tão frio e úmido. Após o café da manhã, aquecimento e desmonte das barracas, partimos para o desafio de atravessar o Vale do Ruah, um verdadeiro labirinto de capim sob um chão encharcado as margens do Rio Verde. Com pouco mais de 20 minutos de caminhada, fizemos uma parada técnica para abastecer nossos cantis nas águas limpidas do Rio Verde, sendo este o último ponto de água até o final da trilha. Prosseguimos pelo capim, quase sem ver por onde estávamos pisando e sequer o companheiro que ia a frente. Nessa situação a orientação nos momentos de indecisão era por pequenos gritos epelos bastões agitados para cima.Saindo do capim mais fechado, subidas e descidas fortes, agora com uma novidade na vegetação: Os bambus de alttitude que nos empurravam para trás, fazendo com que o grupo evoluissecom uma lentidão impressionante. E nos trechos mais abertos de rocha, uma das paisagens mais sensacionais da Serra Fina, o acesso ao Cupim de Boi, formação rochosa de 2.525 metros, ponto de parada obrigatória para contemplação e muitas fotos. Neste momento a fome já apertava, mas para chegar ao local do almoço, conhecido como Bambuzinho, percorremos mais um trecho de descida longa e escorregadia. Mas o esforço foi compensado pelo um local amplo e com sombra. O almoço foi servido ao som de música classica, que valorizou ainda mais nosso momentos de descanso.

Este descanso foi providencial para vencermos o desafio para alcançar o Pico dos Três Estados, trecho de fortes subidas com escalaminhada, capim alto novamente e piso escorregadio, sendo esta a síntese do que é fazer este trekking. A chegada ao Três Estados, assim batizado por marcar as fronteiras de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, se deu antes das 16 horas, com sol forte, mas comtemperatura muito baixa, por volta dos 10 graus. O vento constante era prenúncio de uma noite bem fria,

Mais um momento marcante na trilha, cumprir o ritual das fotosempunhando as bandeiras de nosso estado e do Grupo Andarilhos sob um espetacular por do sol e com visão dos Picos Agulhas Negras, Prateleiras e Couto. A temeratura caía na razão direta do avanço do relógio e a rodinha de vinho a espera do jantar foi a mais dificil de todas devido ao vento.

O frio era tanto que o jantar, macarrão com linguiça calabresa esfriava ao ser colocado no prato.Neste cenário gelado, nao havia nada afazer, a não ser se recolher e enfrentar a noite mais friia de nossa jornada. Foi uma noite de ventos fortes que interrompiam ao sono a cada rajada.

 

CAPÍTULO IV

24/07/2016 (Aproximadamente 10 Km)

Subida acumulada – 400m

Descida acumulada – 1400m

Despertar para o último dia de trilha foi difícil, pois as cinco horas já estávamos nos arrumando para o café da manhã e assistir o nascer do sol. Um dia claro, com algumas nuvens abaixo de nós, permitiu fotos sensacionais com as objetivas apontadas para o Pico das Agulhas Negras e Prateleiras no RJ.

A fina camada de gelo sobre as barracas eram a prova das baixas temperaturas da noite. Rapidamente tomamos o café, desarmamos as barracas e iniciamos a descida sob pedraslama, capim e bambus. Mas como estamos em Serra Fina, temos uma longa subida com esclaminhada em rocha até o pelo Alto dos Ivos, cume de 2.519m que simbolicamente marcou o fim da travessia. A passagem por aí foi marcada não só pelas fotos de todo grupo mas também da despedida dos amigos que encontramos no Itatiaia.

A descida, como sempre difícil por ter muitos obstáculos se deu de forma ordenada com destaque para a travessia de um bosque de bromélias e mata de vegetaçãomais alta e variada, bem diferente do capim e bembus das terras altas. Esta porção final é bem enfadonha pois não há mais obstáculos e o únco atrativo é observar de longe o Picu, montanha tradicional de escalada da cidade de Itamonte. A passagem pelo Síto do Pierre é triste, pois é um lugar muito bonito mas compeltamente abandonado. Para encerrar a poucos metros de nosso resgate, uma família de sitiantes se divertia em um animado churrasco e alguns deles desceram até a trilha para nos saudar e tirar fotos.

O grupo todo cumpriu com competência, disposição e e vigor físico o trekking mais difícil do Brasil, feito valorizado e amplamente comemorado com abraços vivas e cumprimentos antes do embarque nas Kombis que nos conduziriam ao local do almoço de confraternização.

Ao final do almoço, fomos aoRefúgio Rosetal para nos livrar do ranço de três dias sem banho e retornar de Van a São Paulo.

CAPÍTULO V

AS PESSOAS

Fazer um trekking deste porte sem a companhia de pessoas, que mesmo diferentes entre si,tem em comum o gosto pela aventura e superação de limites não faz o menor sentido. O nosso grupo foi muito além disto. Mesmo sem conhecer a maioria delas, no segundo dia já erámos amigos desde a infância. Esse convívio me permitiu traçar o perfil de cada um, que tomo a liberdade de partilhar com vocês.

Marcos Rosetti :Um parceiro e tanto, que soube respeitar como ninguém o exíguo espaço da barraca que foi nossa morada nestes três dias. Mesmo caminhando mais a frente, a primeira pergunta que fazia quando nos encontrávamos , era: “esta tudo bem?”. Isso se chama companheirismo

Carlos Henrique : Por estar com o filho adolescente,dividiu atenção natural de um pai com todos do grupo, sendo extremamente cortês, educado e prestativo.

Gabriel Fadino : O caçula do grupo demosntrou disciplina e preparo físico, esbanjando simpatia com o restante do grupo, pessoas bem mais velhas que ele.

Rafael Covre :O professor foi sempre assertivo em suas colocações. Seus conhecimentos gerais valorizaram as longas dissertações sob o céu estrelado da Mantiqueira

Marcelo Veronez : Como bom professor foi envolvendo o grupo aos poucos, com humor, alto astral e alegria mesmo nas horas mais difíceis.

Denise Zaninelli: Completou o trio de professores do grupo. Discreta, mas sempre opinando quando questionada. Como boa trekker não se abalou com os problemas de mal estar que a afligiram nos últimos dias

Thiago Freitas: Começou a trilha muito calado, porém observando os detalhes de cada conversa. Aos poucos se integrou ao grupo participando ativamente das discussões antes do jantar

Clovis Fitarelli :Observador e de poucas palavras, mas sempre  simpático. Pessoa de grande vigor e disciplina, atributos fundamentais aos praticantes de trekking.

Josi Araújo :Grande parceira de muitos caminhos nos últimos dez  anos. Possui os atributos necessários para uma se destacar nos caminhos mais difíceis:força, determinação, amizade e compreensão.

Pablo Perez :A humildade é uma característica forte deste bravo companheiro. Sempre perguntando sobre os melhores equipamentos, trilhas e até como vencer um determinado obstáculo. Como bom irmão acompanhou o Hugo que se recuperava de uma lesão no joelho

Hugo Perez :Assim como o irmão mais velho foi sempre um companheiro disposto a aprender , demonstrar gratidão e  valorizar tudo que falamos com ele. Superou o desafio apesar de não estar em plenas condições

Antônio : Uma pessoa que cresceu muito neste trekking e certamente se tornou uma pessoa melhor.

Quanto ao time de apoio, minhas impressões foram as seguintes

Natanael : A relação de amizade com o valente  cachorrinho Jhony diz tudo sobre ele. Pessoa forte e ao mesmo tempo sensível, sendo amável com todos  e sempre pronto a servir.

 

Pedro: Seu comprometimento conosco foi infinitamente superior às dores provocadas por uma lesão no pé. Cumpriu a missão com um sorriso no rosto como se não estivesse sentindo nada

 

Rodolfo : Alia com habilidade a força de um trator com a fineza no trato com as pessoas.  Um  gentleman, além de ótimo  Chef de cozinha

 

Rafael Bindi : Atuou  de forma brilhante como relações públicas da Pisa. Tem incrível habilidade para alternar esta missão com a de carregador e guia da expedição

 

Rafael : Animação aliada a uma seriedade incrível na condução de cada sub grupo que comandava, sendo enérgico quando necessário. Divertiu os participantes com seu chapéu fashion

 

Thiago: Bastante atencioso e cortês no trato com a turma. Divertiu o grupo  contando os casos mal sucedidos na cozinha que culminaram com uma queimadura nas mãos.

 

EPÍLOGO

AS LIÇÕES DE SERRA FINA

Percorrrer um caminho como este no qual somos  expostos ao frio, a quedas e cansaço extremo, nos torna dependentes uns dos outros. Esta situação sempre deixa marcas indeléveis  em nossa existência. Não há sentido  percorrê-lo sem  tirar proveito de seus ensinamentos

Serra Fina nos  trouxe o benefício e o prazer de um bom trekking, aliado a  visão de paisagens maravilhosas que não estão ao alcance de qualquer um. Ao final do caminho tivemos a  certeza de que somos privilegiados por conhecer lugares maravilhosos e inacessíveis a tantas pessoas.  O rótulo de ser a travessia mais difícil do Brasil nos dá num primeiro momento,  sensação de superioridade e força. Muitos exageram as dificuldades  para se vangloriar, mas tenho certeza de que o legado para o grupo que esteve conosco é que foi uma experiência inesquecível, marcada pelo aprendizado e que voltou bem melhor do que quando entrou.

Aos companheiros de jornada, devidamente nominados acima, reitero meu eterno agradecimento pela amável companhia, pela rica troca de experiências e  ensinamentos. Tenham a certeza de que cada um de vocês foi importante para meu crescimento pessoal.

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