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Resenha de Aparados da Serra

RESENHA TRAVESSIA DOS APARADOS DA SERRA 

 Por : Antônio Falcão

   

 Nosso grupo, tem por vocação abrir caminhos dentro e fora do Espírito Santo, por isso nos empenhamos na busca por roteiro inéditos e em locais pouco visitados. Este ano escolhemos caminhar pelos gelados Cânions do Rio Grane do Sul, no Aparados da Serra, O caminho com cerca de 60 km  permite visualizar em poucos dias os mais belos e exóticos Cânions da região.

 A área que escolhemos fica fora do Parque Nacional dos Aparados da Serra, sendo portanto, percorrida em propriedades particulares nas quais o acesso só é permitido com autorização prévia.

 

 

Em função da limitação de leitos nas fazendas que nos hospedaram, o número de participantes ficou em 17,apesar do interesse de mais pessoas em estar conosco.

Fechado o grupo, partimos para o detalhamento de cada etapa : escolha dos voos de ida e volta com datas e horários compatíveis com o longo trecho terrestre para se chegar  ao rincões da Serra gaúcha.

Cada etapa concluída foi amplamente divulgada por mensagens e reuniões de alinhamento, que  tinham por finalidade compartilhar informações e entrosar o grupo, mesmo sendo todos velhos conhecidos nas trilhas.  Bem vamos aos fatos.



Dia 4/06/2017 : Chegada a Porto Alegre


Vindo de diversos voos partindo de Vitória, a turma se encontrou no aeroporto de Porto Alegre as 10 30 h para se deslocar para São José dos Ausentes. O dia era frio e nublado, mas sem previsão de chuva. Embarcamos num micro ônibus  previamente contratado para nos conduzir a Cambará do Sul, onde encontramos com nossos guias e acertamos os últimos detalhes do trekking.

Trocamos o micro ônibus por um outro de maior porte para percorrer os os 90 km que nos separavam da Fazenda Aparados, nosso abrigo na primeira noite.

 Viagem demorada, com quase quatro horas de duração pois é feita numa estrada de chão com muitos buracos e solavancos. A paisagem formada por grandes concentrações  de Araucárias  vai nos dando  ideia do que nos espera nos próximos dias de caminhada.

Numa parada rápida para um cafezinho, ao descermos do ônibus sentimos na pele o frio de 10 graus e vento cortante.

E assim, agasalhados e bastante animados chegamos  a Fazenda Boa Vista onde a Família anfitriã se perfilou na porta para cumprimentar cada um de nós . As acomodações são simples, mas extremamente limpas e aconchegantes. Após todos se arrumarem tivemos momentos bastante divertidos na mesa do jantar, que diga se de passagem foi delicioso.

E sob um frio intenso, todos se recolheram antes da 22 horas para descansar pois o dia seguinte prometia fortes emoções



Dia 15/06/2017 : Caminhada pelos Cânions Encerra, Realengo e parte do Boa Vista

As 6 horas um grupo de sonolentos andarilhos encontrou se no salão para o café da manhã, num dia frio com névoa seca e sol começando a raiar, condições que nos garantiriam um dia perfeito para um trekking de intenso e de  muita contemplação de Cânions.

 

Após um café da manhã reforçado, embarcamos de volta no ônibus para nos levar ao ponto de partida. Neste primeiro dia, a meta era passar pelos Cânions Encerra , Realengo e parte do Boa Vista.

No ponto de partida, além de ouvirmos as instruções de nossos guias, colocamos também polainas para proteger as pernas de eventuais picadas de cobras, que existem em abundância na região. Além dos guias, tivemos a cadela Luna, que sempre acompanha os aventureiros em suas incursões pelas bordas.

E num solo seco e repleto de pedregulhos de uma fazenda de gado, o grupo partiu para um trekking que seria marcado por fortes emoções a cada quilômetro. O solo áspero rapidamente dá lugar a um capim fino que chega aos joelhos que esconde grande  quantidade de fendas, charcos e buracos, verdadeiros perigos nestas trilhas.. A atenção redobrada e o uso do bastão para tatear o piso são fundamentais neste terreno.

E ainda no início, temos a primeira de muitas travessias de arroios de águas frias e cristalinas, outro ponto de atenção, pois normalmente as pedras são lisas e soltas, com risco permanente de quedas. Esta primeira travessia foi também um ponto para descanso e retirada do excesso de agasalhos. Um detalhe interessante nas margens deste arroio foi o encontro com um cogumelo gigante, de cor marron que foi bastante fotografado.

E logo mais adiante, assistimos uma divertida perseguição da cadela Luna a uma lebre, que corria em zigue zague e escapou com dificuldade da insistente e implacável caçadora.  E mais um encontro com animais da região,  um veado campeiro correndo em disparada, numa velocidade  impressionante que chega aos 70 Km/h,

Adiante, outra travessia de curso dágua e a partir dela o capim se torna ainda mais denso  e aparecem araucárias em maior quantidade. Não demora muito e já estamos nas margens do Encerra. As infindáveis cercas de arame farpado servem para impedir a queda do gado nas profundezas dos cânions e testam a elasticidade de nossos corpos em sua travessia.

O Encerra possui este nome por ser ponto de encerramento da jornada do dia dos tropeiros que tinham rota nestas paragens.. É um cânion profundo e muito bonito, com destaque para uma cachoeira que desce pelo paredão e desaparece em meio a vegetação. Este primeiro encontro foi marcado por inúmeras fotos individuais, sendo a foto do grupo reunido um pouco mais a frente com ângulos melhores ainda.

Hora do almoço de trilha, onde cada um se acomoda como pode pela vegetação antes de fazer uma foto de todo grupo e seguir para o Realengo.

Em fila indiana e caminhando pelas bordas, em meio a cercas,  araucárias, solo encharcado  e capim alcançamos o Realengo, outro espetáculo dos Aparados.

O vento soprando do quadrante oeste aumentava o perigo de um desequilibro a beira dos precipícios e as fotos eram feitas dentro da margem de segurança.

Continuamos a caminhada, passamos por parte do Boa Vista. Esta parte mostrou bem o que nos esperaria no dia seguinte, pois o que vimos foi encantador e a dúvida maior era qual dos três visitados nestes dia era o mais belo.

Numa descida longa e suave voltamos ao ponto de partida após cumprir uma jornada de 22 km, Isso mesmo, o caminho deste primeiro dia é um circuito.

Na fazenda, um delicioso e farto café nos esperava.

Após cada um se acomodar tomar banho e se agasalhar numa tarde fria, um bom vinho precedeu o jantar para encerrar oficialmente um dia memorável.

  Dia 16/06/2017 : Caminhada pelos Cânions da Boa Vista e da Coxilia


O dia amanheceu sem nuvens e com temperatura em torno de 8 graus com tendência clara de elevação ao longo do período.

Rigorosamente no horário preestabelecido,  todos se posicionaram a mesa para um farto desjejum, combustível essencial para vencer mais  18 km de capins, charcos e fendas de  um trekking da pesada .

 O caminho do dia tem início exatamente no ponto de partida/chegada do dia anterior, porém, segue a esquerda em direção ao Cânion Boavista.

 A foto do grupo reunido e bem agasalhado foi a senha para a largada, mais uma vez acompanhado pela cadela Luna, já perfeitamente integrada.

 A porção inicial passa pelo  meio de um curral de gado, com solo pedregoso e úmido. Um pouco a frente, temos a única sinalização que vimos nestes dias de Aparados : Uma placa diz que é uma trilha Autoguiada ao Cânion Boavista. O caminho até as bordas não é diferente do que já vimos até aqui. Então já próximo, encontramos o grande ponto negativo de toda travessia:  os restos de tendas usadas numa festa Rave no mês anterior,  sob o forte vento, empurrava restos de lonas plásticas para as profundezas do Cânion, um verdadeiro atentado a natureza.

Permanecemos por pouco tempo neste  local e nos deslocamos para outro ponto do Boavista, onde a luz solar iluminava os paredões. Mas o caminho para se chegar ao ponto ideal foi marcado pelo vento fortíssimo e com inúmeras travessias de cercas, Caminhamos um pouco longe das bordas em campo aberto até atingirmos o outro lado do Cânion.

Neste ponto, com os paredões ao fundo, fizemos a nossa primeira foto com as bandeiras no nosso Espírito Santo e do Grupo Andarilhos, marcando definitivamente nossa passagem por ali.

E no caminho ao Coxília, o espírito inovador de nosso grupo se fez presente: fizemos um desvio por uma trilha acidentada, estreia e íngrene por indicação de um trabalhador da fazenda, sendo esta a primeira passagem de um grupo pelo local. Andarilhos, sempre fazendo algo inédito. No ponto mais alto desta trilha podemos contemplar  o Boavista de frente em todo seu esplendor, com paredões completamente tomados por árvores de grande porte.

O caminho a partir deste ponto se torna mais divertido, pois existem varações de vegetação, que passam por arbustos baixos e de troncos retorcidos, capim e araucárias. Num ponto mais sombreado fizemos a pausa para o almoço de trilha, com o grupo bem espalhado procurando  abrigo do sol e do vento implacável. Estes momentos são ricos pois, a palavra chave é “partilha” onde todos oferecem ao outro algo que trouxeram para a trilha.

Recobradas as energias, o grupo partiu para o Coxília, caminhando com tranquilidade e segurança nas transposições de cercas e arroios, e até com apresentação de dupla sertaneja das Irmãs Nadir e Rita soltando a voz e ensaiando coreografias.

Tivemos a companhia de um drone que sobrevoou por duas vezes a longa fila de nossa turma, comandado remotamente pelo proprietário da terra. Que sirva de alerta ao cuidado que se deve ter ao adentrar por estes rincões, todos eles particulares e demandam autorização para atravessá-los.

A chegada ao Coxília como em todos os outros, foi marcada por fotos em diversas poses nas bordas, algumas bem perto mesmo, já que o vento, agora mais fraco permitia uma proximidade maior.

Seguindo em frente, mais paradas para fotos de todo grupo, travessia de arroios para enfim pegar uma estradinha vicinal por 2 Km e voltarmos para a nossa fazenda hospedaria.

Mais uma vez, recepção com um farto café, pinhão assado e algumas cervejas.

Foi momento de despedirmos de nossa fiel companheira Luna, que a contragosto embarcou num veículo em direção a sua casa.

E a noite deste dia foi de muita festa, já que logo após o jantar, uma dupla de sanfoneiro colocou todos para dançar e cantar , para enfim encerrar mais um dia de trekking.

   

Dia 17/06/2017: Caminhada aos  Cânions Monte Negro e Cruzinha

Mais uma vez , o grupo todo acordou no horário neste o último dia de jornada, para percorrer  um trecho de 20 Km , subir até o cume do Monte Negro – ponto culminante no RS, e visitar o Cânion homônimo, além do Cruzinha.

 O clima colaborou conosco nos dias anteriores, mas neste último, bem mais generoso com  ventos moderados, temperatura beirando os 14 graus, sol e nenhuma neblina.

Como sempre, ,tivemos  a animadíssima foto da largada na escadaria da entrada principal da Fazenda Aparados,  antes de começar o caminho que possui um pequeno trecho em comum com o do dia anterior.

A nossa companhia canina para este último dia foi na verdade uma dupla, os cães Max e Tigrão  que partiram logo na  frente do grupo correndo de um lado para outro e divertindo a turma com suas brincadeiras.

No início da trilha tivemos a oportunidade de ver lado a lado duas araucárias, a árvore  macho e a fêmea que diferem uma da outra pelo formato da copa: A fêmea tem formato de taça enquanto a árvore macho tem a forma de um cone. A proporção é de 90 por cento  fêmea e apenas 10 por cento macho, razão pela qual é difícil perceber nesta floresta de milhares e espécimes.

O primeiro objetivo do dia é alcançar o cume do Monte Negro, que se dá por uma trilha estreita, escorregadia e com muitos espinhos.

Com bastante cautela chegamos ao cume, marcado por uma pequena construção de madeira que outrora  abrigou uma unidade metereológica. Soubemos que foi desativada em função do furto dos equipamentos.

Atualmente serve  para a guarda do Livro Cume que  registra a passagem de pessoas, como nós,  que tem o privilégio de estar no alto de seus modestos 1403 metros de altitude.

Local apropriado para mais uma sessão de fotos com as bandeiras do ES e do Grupo Andarilhos, marcando presença em mais um local distante de nosso extenso país.

 

A descida do monte já se dá de frente para o Cânion Monte Negro. Caminhamos um logo trecho em suas bordas até o ponto ideal que fica no lado oposto e se pode contemplar o Monte Negro ao fundo. Mais uma maravilha dos Aparados se descortinou diante de nossos olhos e o encantamento era geral.

Não muito distante dali , temos um mirante natural com uma pedra bem avançada em relação ao precipício, batizada de Alinne Morais. Isto porque esta atriz gravou ali uma cena da novela global “Além do Tempo”. Farra total dos marmanjos que diziam ainda sentir o cheiro da beldade. Bem, com Alinne ou sem ela, foram belas fotos num cenário paradisíaco.

E ainda tinha muito que se ver, pois acompanhando as curvas caprichosamente esculpidas pela natureza é possível contemplar o cânion de diversos ângulos com inúmeras paradas para fotos. Numa destas paradas, as meninas se sentaram em círculo encostando as  solas dos pés umas nas outras, formando uma grande estrela.

 

O próximo fato relevante foi o encontro com uma turma que curtia os Aparados a cavalo, seguido de uma parada num platô onde seria erguida uma pousada.

 

Seria o local ideal para o almoço, mas por ser bem aberto e sujeito ao vento, percorremos mais um pouco para encontrar um local bastante sombreado e abrigado. Foi uma pausa longa, na qual ouvimos de nossos guias um relato detalhado sobre o relevo, clima e ocupação do terreno que estávamos  percorrendo. Findas as explicações, assistimos ao vivo o embate entre Darth Vader e Luke, do filme Guerra nas Estrelas protagonizado  por Waldson e Milton, Foi uma repetição da cena  que já tinham feito esta lá no Monte Roraima. Desta vez, portando máscaras dos personagens, a farra foi total, surpreendendo a todos.

 

Hora de partir para o final da jornada, em direção ao Cruzinha, último Cânion  a ser visitado. Nele a maior atração é sem dúvida uma cachoeira que fustigada pela força do vento, não consegue jorrar água no fundo do vale, que ao voltar, forma uma densa névoa,  que ao longe parece fumaça de uma queimada. É um espetáculo e tanto.

No contorno do Cânion Cruzinha, fizemos uma singela homenagem a integrantes das expedições ao Monte Roraima e Salkantay : a dupla Sebastião e Izilda que por motivo de saúde não puderam estar conosco nos Aparados.

E logo depois de mais uma caminhada entre com capim encharcado, atingimos a estradinha na qual começamos o dia, e por ela retornamos a Fazenda Aparados, encerrando uma das trilhas mais sensacionais e exóticas que já fizemos. Foram 60 km amplamente comemorados, na varanda da casa e depois no jantar, pois nosso retorno seria só no dia seguinte.

 Dia 18/06/2017 : A longa viagem de volta

O início do  dia foi a marcado pela saudade e vontade de voltar no próximo ano. Após o café da manha, repetimos a foto na escadaria da fazenda, mas com os proprietários, que nos acolheram com tanto carinho, fazendo parte da turma.

Sem demora, pegamos o transporte em direção a Cambará e de lá uma Van   para Porto Alegre.

Em Cambará o grupo se dividiu, pois cinco integrantes esticaram o roteiro,  agora de legítimo turismo, até a cidade de Gramado e o restante para Porto Alegre afim de partir para Vitória apenas na segunda feira bem cedinho.

 As Lições de Aparados

 Caminhar  longe de casa  com um grupo grande composto de pessoas que tem muitas diferenças entre si, a despeito do gosto comum pelo trekking ,  dividindo o tempo e compartilhando espaços, sempre nos traz algumas lições. Se me permitem vou externar o que observei.

Mesmo sem perceber, nos tornamos uma família, com respeito a opiniões divergentes, aceitação de limites e cumprimento de horários além de valorização das virtudes.

Espero que todos possam levar isso no seu cotidiano, seja no trabalho na família e na sociedade em geral.

Agradeço de coração a cada um de vocês, aos nossos guias e anfitriões, pela amável companhia, refletida na amizade, na  partilha e nos  ensinamentos.  E ao nosso bom e misericordioso DEUS, pela nossa saúde, fundamental para o sucesso de um trekking pesado como esse.

Todo isso me estimula a  seguir em frente.

 

Grande abraço

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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