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RESENHA PICO DOS CABRITOS

 RESENHA PICO DOS CABRITOS

 Por: Antônio Falcão

  Nem só de Pico da Bandeira, Calçado e Cristal vive o Caparaó. Existe um conjunto de de altas montanhas, com cotas acima de 2500 metros e tão belas quanto os irmãos famosos. São praticamente isoladas do mundo, pois por não terem trilha demarcada o o trekking de acesso é de grau dificílimo, rivalizando com trekkings do nível de Serra Fina.

 Após um planejamento de mais dois anos, colhendo informações de como chegar e quanto tempo se gasta, resolvemos atingir num só dia os picos Cruz do Negro, Falso Tesourinho, e Tesouro, conhecido pelos nativos como Cabritos.

 Sendo assim, no dia 30 de junho grupo partiu de Vitória às 18 horas, e pouco depois estava em Vila Velha para embarque dos andarilhos Canela Verde.

 Mesmo com apenas uma rápida  parada para lanche, só alcançamos a cidade mineira de Alto Caparaó as 1 :30 hs do dia 01 de julho. Desembarque e direto para a cama,  pois os aposentos já estavam previamente reservados e devidamente identificados com os nomes dos hóspedes, dispensando o procedimento de check in

 Ao raiar do dia, os sonolentos e valentes andarilhos estavam a postos para o café da manhã, num dia frio, mas claro e com sol, condições ideais para um trekking desta magnitude.

 A subida até a elevação 1.973 metros da Tronqueira, foi por meio de Jeeps e de forma ordeira, com a lotação de cada veículo preestabelecida, fruto de um planejamento bem elaborado.

 Após um rápido aquecimento e a sessão de fotos, o grupo partiu em fila indiana para a grande aventura, pois apenas o trecho inicial, a trilha de acesso ao Pico da Bandeira é velha conhecida de todos.

 As condições de iluminação perfeitas  realçavam  cenários de rara beleza, com a vegetação rupestre, formações rochosas e o emaranhado de nuvens muito abaixo, mesmo ainda na parte conhecida, encantam a cada curva da trilha e cada um buscava o melhor ângulo para as fotos.

  O grupo subia vagarosamente com passos firmes e cadenciados. As  paradas para hidratação, descanso e lanche foram benéficas também para troca  de experiências e muita conversa . Esta lentidão  permite que se aprecie  cada detalhe, como sentir o cheiro do mato, da terra e absorver toda sua energia, com a  incrível sensação de caminhar acima das nuvens.

 No Terreirão, uma técnica  importante para descanso e abastecimento dos cantis, pois é o último ponto de água potável.

 A partir deste ponto não existe mais trilha e seguimos na direção norte para vencer uma sequência de montanhas de tirar o fôlego, seja pelo esforço ou pela beleza das paisagens quase intocadas.

 Ao pé de  um grande monte, sem nome de batismo, fomos informados de que caso alguém não se sentisse seguro para prosseguir na trilha,  seria este o momento de retornar sem maiores sobressaltos. Ao final deste aviso, tivemos duas desistências.

 Ao atingir o cume deste morro, temos a visão do Pico Cruz do Negro. Mesmo próximo, o acesso se dá por uma longa descida e só então subir em meio aos bambus, pedras e buracos de uma trilha demarcada apenas pelos pés dos que vão na frente. Isso é a grande atração deste roteiro, e exige além do esforço, tranquilidade para vencer obstáculos.

 Contemplando o horizonte, temos visão em primeiro plano do Cristal e Bandeira, e ao fundo o Forno Grande e a Pedra Azul. Ao atingirmos o cume da Cruz do Negro, hora do lanche e das fotos icônicas com a bandeira do ES e do Grupo Andarilhos para marcar nossa passagem e pioneirismo.

 Do alto da Cruz do Negro, nosso próximo objetivo é o Pico Falso Tesourinho, que para alcança lo temos um novo desafio: Descer a Cruz do Negro por um paredão de pedra com forte inclinação e com pouca vegetação até atingir uma parte plana antes de iniciar uma nova e longa subida.

 Neste ponto, mais três integrantes da trupe se renderam ao cansaço e ficaram por aí, aguardando a volta dos que seguiram em frente.

 Seguir em frente neste caso significa encarar uma nova e difícil subida nos mesmos moldes da anterior, mas com pontos encharcados e capim alto e os perigosos arames farpados de antigas cercas, pois no passado nesta região havia criação de gado.

 Sem maiores problemas e num ritmo forte, alcançamos o Falso Tesourinho, no momento em que houve uma sensível alteração das condições climáticas. O tempo até então claro passou a nublado e com vento mais forte, trazendo com ele o frio cortante. Parada rápida para contemplação e ver o Tesourinho “verdadeiro” a frente. Desafio previsível: descer tudo novamente caminhar num trecho plano antes de se iniciar a ascensão.

 Ao pé do Tesourinho, mais cinco companheiros resolveram encerrar a aventura, já que um deles sofria com dolorosas câimbras, ficando acordado que aguardariam neste ponto o retorno dos que seguiram em frente.

 A subida ao Tesourinho é feita em zigue zague alternando trechos de bambus bem fechados com pedra nua, caminhada dificultada pelo vento frio que não dava trégua,

 Ao chegarmos nos 2578 metros de altitude, foi hora de comemorar e marcar a nossa presença em mais um cume com novas  fotos do grupo ostentando as bandeira do ES e do Grupo Andarilhos.

 Ver lá de cima o Tesouro ou Cabritos, que parece tão perto, porém com tempo previsto de cerca de uma hora e meia para se chegar, nos mostrou que pelo horário (15 horas) faríamos todo percurso de volta no escuro e previsão de chegada as 22 horas.

 Com tantos amigos nos esperando no meio da trilha, o bom senso nos fez tomar a decisão de não atingirmos o Cabritos desta vez e iniciar logo o retorno.

 O objetivo passou a ser o alcance do Pico Cruz do Negro ainda com luz natural, e para isso, precisamos caminhar num ritmo mais forte, ajudados por um sol que voltou a brilhar. Fomos reencontrando os amigos que nos aguardavam pela trilha e cumprimos a nossa meta. Na descida contemplamos um espetacular por do sol antes de percorrer um longo trecho no escuro.

 A etapa no escuro foi cumprida com o balé das luzes das lanternas, uma interessante coreografia de andarilhos  em uma fila indiana e ritmo cauteloso até a chegada ao Terreirão, imerso em completa escuridão. Hora de reagrupar a turma para continuar a descida.

 Foi uma descida tranquila, com ventos moderados e uma lua crescente, cuja luz pálida contribuiu para que enxergássemos um pouco o nosso entorno e não apenas a frente seguindo o foco das lanternas.

  E após quase 13 horas de trekking intenso , todos  chegaram a Tronqueira onde a frota de valentes Jeeps se posicionou para nos conduzir a Pousada do Rui para o jantar de confraternização e o merecido descanso

 Durante a confraternização, fiz uma reflexão dos acontecimentos do dia, avaliando os erros e acertos de um trekking de grande intensidade e num local desconhecido e hostil. Mesmo não atingindo o objetivo principal, comemorei em silêncio o sucesso, pois as  dificuldades vivenciadas na montanha nos trona ao mesmo tempo mais fortes e sensíveis para enxergar em detalhes as belezas das rochas, do céu,  de cada sorriso, cada ajuda num momento difícil e numa partilha de lanche. Enfim foi ótimo fazer parte de um time animado, descontraído e solidário em cada etapa desta viagem.

 A confraternização, regada a vinho e muita animação durou pouco devido ao cansaço e as  22 horas todos se recolheram a seus  aposentos.

 No domingo todos retornaram ao restaurante para o café da manhã às  sete horas, e retorno a Vitória as 8:30  horas.

 Tivemos uma viagem das mais tranquilas com muita farra no ônibus numa estrada com pouco movimento.

 E para encerrar um fim de semana marcante, comemoramos o aniversário da Natália com parabéns e bolo num posto em Venda Nova do Imigrante.

  Agradeço aos  nossos companheiros de outras  jornadas, Magno de Roraima e Angelina do Rio de Janeiro que vieram conhecer conosco esta porção esquecida e bela do Caparaó.

 A Josi pela determinação e seriedade e total envolvimento na condução dos preparativos, um verdadeiro manual de como se prepara um trekking.

 Aos demais, pelos bons momentos de convivência fraterna, união e respeito ao próximo.

 Tenham a certeza de que contribuíram muito para meu crescimento pessoal.

 Espero estar com todos no dia 23 de julho no Moxuara.

 

Grande abraço 

 

 

 

 
 
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