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RESENHA Trilhas do Caparao

 

RESENHA TRILHAS DO CAPARAÓ 2017

Por: Antônio Falcão

Nosso grupo sempre promove eventos na região do  Caparaó. É um espetáculo da natureza e permite fazer atividades intensas aliando  aventura e contemplação de paisagens belíssimas.

 A região compreende os municípios de Alto Caparaó em MG e Dores do Rio Preto do lado do ES. O Parque Nacional do Caparaó, conta com parte da Serra do Mar e da Mantiqueira, o Pico da Bandeira e o Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça.

Os demais municípios capixabas são Alegre, Divino de São Lourenço,, Guaçuí, Ibatiba, Ibitirama, Iúna, Irupi, Jerônimo Monteiro, Muniz Freire e São José do Calçado e já caminhamos muito por eles.

Para este ano programamos um fim de semana com dois trekkings distintos: No  sábado uma subida até o Nariz de Cristo, descendo por quatro cachoeiras e domingo, uma caminhada sensacional pelos cafezais, a grande riqueza da região entre as plantações, trilhas e pastos. Ambos os trekkings aliam força e preparo físico, pois não somos adeptos de “passeios no shopping”,

O grupo partiu de Vitória e Vila Velha na sexta a noite para uma cansativa viagem pela precária rodovia BR 262 até Alto Caparaó, só chegando na Pousada do Rui as 1:30 hs da madrugada.

Com os aposentos previamente definidos, todos se recolheram para aproveitar as duas horinhas de sono a que tinham direito.

PRIMEIRO DIA : A SUBIDA AO PICO

Sem atrasos, todos se apresentaram animados para o café às seis da manhã  para início da subida as sete. Tivemos uma alteração forçada no roteiro, pois em função de um mutirão para revitalizar a sinalização das trilhas, o acesso ao Nariz estava impedido. E assim optamos por passar ao largo deste ponto e subir até o topo do Pico da Bandeira, o terceiro ponto mais alto do Brasil com 2892 metros de altura.

O sábado amanheceu com alta nebulosidade e temperatura agradável. Da pousada embarque imediato nos Jeeps que nos levaram a Tronqueira a 1970 metros de altitude para início efetivo do trekking.

Logo se percebe o efeito de estar numa altitude acima das nuvens, pois neste ponto o sol brilha com intensidade,  com céu  azul e límpido, ao contrário do clima londrino que reina sobre a cidade.

Após as fotos e briefing sobre as atividades do dia, o grupo partiu em fila indiana pela trilha tortuosa e ingrene que conduz ao topo da montanha. Apesar do aviso para caminhar em ritmo mais forte, a busca por melhores ângulos para as fotos foram inevitáveis, atrasando um pouco a subida.  Vale registrar que ai nasceu a marca registrada do fim de semana: as centenas de fotos Selfie protagonizadas por nossos queridos, animados e divertidos amigos Cynhtia e Hélio

A 2370 metros de altitude temos uma parada obrigatória no Terreirão, um platô utilizado como ponto de apoio com banheiros e  lavabos , que abriga também a bela e rústica Casa de Pedra Parada providencial para mitigar os efeitos do cansaço  da forte subida, e a oportunidade de vivenciar momentos de partilha, pois de forma espontânea o lanche que cada um trazia em sua mochila era repartido entre todos. E tome selfie....


A partir do Terreirão a trilha se torna mais íngrene e grupo subia vagarosamente em fila indiana porém com  passos firmes e cadenciados. Esta lentidão permite a visão de inúmeros detalhes e  descoberta de coisas imperceptíveis, como sentir o cheiro do mato seco, ouvir o vento , sentir a terra, e absorver sua energia numa incrível sensação de caminhar acima das nuvens

Quanto mais se sobe, o horizonte se abre para novas descobertas, o que faz melhorar o senso de humor e alto astral, retratado nas piadas e nas inúmeras fotos. E selfies.... 

A trilha é irregular com trechos onde o melhor a fazer é subir apoiando as mãos no chão. Algumas paradas e em pouco tempo já tínhamos o Pico em nosso campo visual, um verdadeiro alento, pois agora o nosso objetivo estava “ Logo ali”.. 

A visão dos montes ao redor é simplesmente linda, com as nuvens se aproximando, passando sobre nós e desaparecendo em seguida..
A chegada ao cume foi pura emoção, A sensação de liberdade abre o peito, a alegria pueril de ter vencido o desafio externada com , choro, abraços, aplausos e gritos de vitória lançados ao vento por cinco integrantes do grupo que estavam ali pela primeira vez. Para nós veteranos, nada como repetir o mantra que “ se for para chegar no cume e não abrir os braços, eu nem vou”

Após as fotos ( E tome Selfie) do grupo com as bandeiras do Andarilhos e do ES, hora de iniciar a longa descida, ocorrida sem problemas, passando pelas cachoeiras. Muitos optaram por assistir o incrível espetáculo do por do sol já próximo a tronqueira. Preciso dizer mais alguma coisa? Sim, Selfie....

O por do sol foi marcado por intensa euforia e só quando ele sumiu no horizonte é que o povo se acomodou nos Jeeps para a descida final até a pousada.

Na pousada, após um banho revigorante, o que se viu na hora do jantar foi um grupo coeso e animado, bebendo um vinho, brindando a vida selando um pacto silencioso de cooperação e bons fluidos para futuras caminhadas e pela vida. A confraternização durou pouco, pois no dia seguinte a jornada não seria das mais fáceis.

 

SEGUNDO DIA : A TRILHA DOS CAFEZAIS

Para o segundo dia de trilha, o grupo disciplinado e responsável, apresentou se para o café da manhã no horário estabelecido. Como de praxe, fizemos um rápido briefing e seguido das  fotos (inclusive selfie)

Este trekking inédito, teve como objetivo apresentar a atividade produtiva no entorno da serra que vem chamando a atenção de todos e até rivalizando com a fama do Pico da Bandeira: A cultura do café arábica, tem impulsionado a economia, fortalecido  o turismo e se mostrado como nova identidade da região.

Dito isso, vamos ao caminho, que começa como um passeio pelas ruas tranquilas da cidade em pleno domingo. Passeio que após a travessia de um belo riacho, se muda para uma extensa e forte subida numa estradinha vicinal. Em pouco tempo, nosso homenageado, o café se mostra com todo seu esplendor, envolvendo a cidade. E começam a aparecer pequenas propriedades com terreiros cimentados para secagem do precioso grão e uma profusão de sacas nas margens da estrada para serem recolhidas.

A cada passo, novas descobertas, através de encontros com os produtores, gente simples e acolhedora. E num destes encontros o dono de uma fazenda abraçou nosso amigo Hélio, Rei do Selfie dizendo ser ele um velho conhecido do Rio de Janeiro. Fotos abraços e aplausos na despedida. Mais adiante quando todos comentavam a coincidência o Hélio nos avisa as gargalhadas que nunca tinha visto o sujeito. Foi muito engraçado e com direito a mais selfies.

E em meio aos cafezais surge a primeira trilha um misto de mata fechada e pasto, em forte subida, sendo este ambiente a essência do grupo que sempre prioriza este tipo de terreno, mesmo numa caminhada de cunho cultural como esta.

O sol foi se abrindo e o caminho de subidas e descidas, trilhas e cafezais foi se tornando mais difícil porém não menos interessante e divertido, com travessias de rios e pontos de mata bem fechada.

Num dado momento de trilha, atravessamos a famosa Pousada do Bezerra, sendo nós invasores muito bem recebidos pelos proprietários. Saímos da pousada para cumprir a porção final dos 14 km de trilha programados até  a Fazenda Ninho da Águia, famosa pela qualidade de seu café.

O caminho até lá não é tão fácil, apesar de ser em estrada pois é em forte subida, porém o visual dos imensos cafezais compensa. Com algumas baixas, chegamos a fazenda bastante cansados mas felizes por termos cumprido todo trajeto.

A família nos recebeu com carinho antes de uma exposição bastante didática sobre a cultura cafeeira, manejo cuidados com as nascentes a cargo de Clayton Monteiro que finalizou dizendo que a Fazenda, recebeu a chancela de melhor produtora de café especial – Coffee of The Year – da Specialty Coffee Association of America (SCAA). “O prêmio transformou não só a propriedade, como o Alto Caparaó, em sinônimo de café especial”, nos disse o orgulhoso proprietário.

Após a degustação, o caminho foi oficialmente encerrado e foi só aguardar o transporte para nos conduzir a Pousada do Rui para o almoço de encerramento e retorno a Vitória.


AS LIÇÕES DAS TRILHAS DO CAPARAÓ

Como em toda caminhada longa ou quando temos a oportunidade de passar dois dias juntos, é sempre bom fazer uma reflexão sobre as lições que aprendemos. No caso do Pico consegui identificar as seguintes:

Selfie : Foi a palavra mais usada no fim de semana e repetida propositalmente por mim neste relato. Não significa apenas uma foto no pau de selfie da Cynthia ou no braço longo do Hélio. Façam uma foto de dentro de si e descubram uma força que muitos desconhecem que ela se  transforma numa ferramenta para ser usada pelo resto da vida, Ao compartilhar isso com amigos e familiares, os mesmos ficarão encorajados a subir não só o Pico, mas encarar os desafios que a vida lhes impõe.

 

Superação : Foi incrível ver pessoas superando seus limites físicos para alcançar o topo da montanha. 

Emoção : Traduzida nas lágrimas de felicidade de alguns quando chegaram ao topo.

Partilha : Vivenciada na divisão do lanche da água, e do vinho

Solidariedade : Foi outra marca registrada, manifestada principalmente nos momentos difíceis quando não faltou uma mão amiga para auxiliar o companheiro em dificuldade.

Humildade : Evidenciada no silêncio de quem fez tanto para o sucesso da trilha,  antes durante e depois da jornada. 

Estas foram as lições que levo de mais este caminho, mas sei que cada de nós tirou proveito destes momentos de convivência fraterna , união e respeito ao próximo.

Para encerrar gostaria de agradecer a todos, na certeza de que cada um deixou uma marca indelével em minha existência, contribuindo para meu crescimento pessoal.

Espero estar com todos novamente nas trilhas de setembro : dia 07 na Volta da Ilha e dia 17 na Prainha de Matilde..

Grande abraço a todos

 
 
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