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Resenha Travessia Pico da Bandeira 2018

 

RESENHA TRAVESSIA DO PICO DA BANDEIRA 2018

Por : Antônio Falcão

 A travessia do Pico da Bandeira é planejada para visitar,  num único dia, as “perolas do Caparaó” que são os Picos da Bandeira, Calçado e Cristal.

Para fazer tudo isso num fim de semana, a logística é bem complexa, pois envolve  agendamento da pousada, do  transporte até o Caparaó, os Jeeps para a subida, e a  contratação dos guias.

Em eventos anteriores, íamos direto a Pedra  Menina, pois o início é pelo Espírito Santo, porém resolvemos inovar e ficar numa única pousada, em Alto Caparaó,  do lado de Minas,  com deslocamento  bem cedo para o ES.

 Sendo assim, no dia 20 de julho, um animado grupo partiu de Vitória às 18 horas rumo ao Caparaó mineiro. A viagem é longa, e mesmo com uma única parada, só chegamos a Pousada do Rui após meia noite. Neste horário, a única coisa a fazer foi ir direto para os quartos, previamente reservados para uma curtíssima noite de sono.

Pontualmente as 5:30 horas, num dia de frio moderado, a turma, já devidamente paramentada,  equipada e sonolenta,  estava no refeitório  para o café da manhã, demonstrando comprometimento com o horário estabelecido.

Apesar da pontualidade, não chegamos em Pedra Menina no horário programado, pois além da distância, havia uma densa  neblina em diversos pontos de uma estrada sinuosa e repleta de quebra molas.

Em função do atraso, os tramites na  Portaria do Parque foram agilizados e em pouco tempo todos embarcaram nos Jeeps que nos conduziram a Casa Queimada no nível 2.185, nosso ponto de partida.

O grande número de veículos no local indicava trilha cheia, pois as condições climáticas eram ideias para uma caminhada tranquila pelos belíssimos Picos do Caparaó.

Após as fotos e alongamentos  o grupo partiu em fila indiana para vencer os 4,9 quilômetros de uma trilha  bem demarcada e bastante íngrene.

O primeiro de muitos atrativos deste trecho inicial são as Pedras Gêmeas, ( ou Duas Irmãs) que se sobressaem em meio ao céu azul  e a  vegetação rupestre, com  predomínio de  bromélias em flor e as  bengalas, espécie de bambu com folhas duras  e espinhosas.

 Em função da estiagem, a trilha apresenta se  seca e poeirenta e o grupo evoluía de forma vagarosa fazendo paradas para hidratação, descanso e lanche. O dia claro valorizou muito o caminho, pois permitia a visão de tudo que a montanha oferece, evidenciado pelos olhares maravilhados dos participantes. Estas condições são perfeitas e raras para a subida ao  pouco visitado Pico do Cristal, nosso primeiro objetivo.

Logo que se toma a direção do Cristal, a trilha se torna deserta, sem aquele frenesi de gente descendo e subindo a montanha.

A trilha  começa bem estreita, e aos poucos se abra em grandes paredes de pedra que demandam cuidado extra para ser percorrida. Neste ponto percebemos a atitude solidária dos andarilhos, ajudando aqueles que tinham maior dificuldade, não só com os obstáculos,  mas com a altura.

Transposta a sequencia de paredes de pedra,  temos um platô, utilizado para um merecido descanso e  contemplar  o Cristal com todo seu esplendor.

A visão desperta sentimentos que vão da pura admiração ao temor ,só de pensar em subir aquela parede rochosa e quase sem vegetação. Na descida que nos leva a base, foi a hora de decidir quem iria até o cume, pois é uma subida na unha e sem auxilio de cordas.

E sob uma plateia confortavelmente aconchegada numa saliência plana da rocha que sete andarilhos partiram em direção ao cume, deixando para trás as suas mochilas.

Atacar o Cristal é um desafio e tanto, pois é necessário descer muito até a base para o início de uma rota de subida em zigue zague para  aproveitar bem as saliências que garantem uma ascensão  segura. Destaque para  dois trechos em diagonal nos quais existe um mínimo de apoio para os pés, sendo realmente  um desafio para quem tem medo de altura.

Vencidos estes pontos, atingimos o cume aos 2.769 metros que o posiciona como o sétimo mais alto do Brasil. Comemoramos a chegada em grande estilo, com foto ao lado do totem de cristal e do marco do IBGE, ostentado as bandeiras do Grupo Andarilhos e do Espírito Santo para marcar nossa presença.

Os pouco mais de cinco minutos que passamos no topo foram recheados  de emoção, afinal chegar lá é difícil, não só pelo desafio mas também pelas condições climáticas, que neste dia estavam perfeitas, sem vento neblina ou umidade, coisa rara por ali.

Na descida acenamos  para os companheiros que nos observavam lá de baixo. Foi uma descida rápida,  porém cuidadosa e logo estávamos de volta a base.

A alegria de ter estado no cume do Cristal foi complementada pelas saudações carinhosas do grupo que nos esperou pacientemente. Após  uma breve pausa para descanso, o grupo novamente reunido, partiu para o Pico do Calçado.

A forte subida até o Calçado foi amenizada, mais uma vez pela solidariedade dos companheiros que ajudavam os  que tinham  dificuldade na transposição dos inúmeros obstáculos.

E não demorou muito para alcançarmos os 2840 metros do Calçado, que mesmo com as divergências de critérios de medição, ocupa o quarto lugar  no  Projeto Pontos Culminantes do IBGE. Independente de sua posição no ranking, estar  no cume e registar nossa presença com fotos do grupo é emocionante.

 E finalmente é hora de subir a estrela mor do Caparaó: O Pico da Bandeira. Para se chegar até ele , é necessário  percorrer um caminho curto e bem difícil, porém nos brinda com a vista lateral do Bandeira, sendo  ótima oportunidade de fotografar o Pico num ângulo menos conhecido.

Vencida esta porção inicial, temos um acentuado declive, seguido de uma subida forte no final.

É interessante passar pela intercessão das vias de acesso por MG e ES, atualmente bem sinalizada. Esta sinalização evita que o montanhista  se perca e desça pelo lado oposto ao que planejou.

 A chegada ao cume é precedida por duas construções metálicas em ruínas que a primeira vista enganam o visitante. Mas basta caminhar mais um pouco e para estar no cume do terceiro pico mais alto do Brasil.

Atingir o cume num dia claro é um privilégio, pois brinda o visitante com uma visão espetacular em 360 graus de todo entorno. Emoção pura, tanto para os que estavam ali pela primeira vez como aos veteranos que curtem não só o visual,  mas a sensação de liberdade e euforia por vencer mais um desafio.

 A sessão de fotos, com ausência do vento, que normalmente sopra com intensidade no cume,  foi tranquila, pois não tivemos dificuldade em manter  a nossa bandeira bem esticada.

Em função do adiantado da hora, a permanência no cume foi breve, porém as emoções e sentimentos vividos neste curto espaço de tempo foram marcantes e  certamente ficarão  eternizadas na mente de todos,  e serão partilhados com amigos e familiares. Afinal é uma conquista e realização de um sonho para muitos.

 A descida pelo lado mineiro é menos inclinada, com exceção do trecho inicial,  e se encontra bem “batida”, já que  nessa época a visitação é muito grande. Em alguns trechos, já com a luz do sol se definhando, é aconselhável descer apoiando as mãos no chão.

 E por falar na luz do sol, ainda tivemos o privilégio de assistir um belíssimo por do sol em plena trilha, fora portanto, do ponto tradicional de observação lá no cume.

A chegada Terreirão, local de apoio  aos montanhistas com banheiros, vestiários e um posto avançado do ICMBIO, foi às escuras, e já com as lanternas acesas.

O Terreirão que marca também a metade da trilha que liga o cume a Tronqueira estava repleto de barracas. O camping nesta área estava  interditado havia três anos, mas a proibição foi revogada recentemente para para deleite dos montanhistas que esperam ali o momento de subir para assistir o nascer do sol no cume.

Foi uma parada estratégica para descanso, alimentação, vestir  roupas de frio, que aumentou bastante com a saída de cena do sol,  e acertar as lanternas.

E sob a luz das lanternas auxiliadas pela claridade da lua crescente, o grupo iniciou a descida de forma lenta e gradual cruzando  a todo instante com outros que subiam, num belo balé de luzes das lanternas de cabeça.

Em função da dificuldade  de alguns em descer na escuridão  grupo aos poucos se dividiu e terminou a longa travessia na Tronqueira. Assim que este grupo se acomodou nos Jeeps para o retorno a Alto Caparaó, o guia Sairo retornou  para se juntar aos que ainda estavam na trilha, acompanhados pelo Mestre Josias.

 Como o primeiro grupo chegou na Pousada as 21 horas e os demais quase uma hora depois, tivemos que cancelar nossa roda de vinhos, mas o delicioso jantar de confraternização foi  dedicado a celebração de um dia especial onde tudo correu as mil maravilhas.

No domingo todos retornaram ao restaurante para o café da manhã às sete horas, e retorno a Vitória começou as as 8:30  horas,  rigorosamente no horário programado

A viagem de volta, apesar o tráfego intenso na BR 262 foi das mais tranquilas, e mesmo com duas paradas chegamos às 15 horas, fechando um fim de semana memorável.

 Para encerrar gostaria de externar meu agradecimento, mesmo correndo o risco de omissão, as seguintes pessoas:

A Josi pelo empenho na organização, um verdadeiro manual de como fazer esta travessia com segurança e tranquilidade.

Ao Alvimar por se destacar no auxilio e solidariedade com os companheiros nos momentos mais difíceis,

Ao Marcelo Toscano que nos escolheu para conduzir seus filhos nos primeiros passos na montanha,,.

Aos demais, pela amável companhia, materializada  nos momentos de convivência fraterna , união e respeito ao próximo.

Tenham a certeza de que, cada um a sua maneira  contribuiu para meu crescimento pessoal.

 Espero estar com todos no dia 19 de agosto no Caminho Mapa das Américas.

 

Grande abraço

 

 

 
 
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